América do Sul 2017: Argentina, Brasil e Peru

No ano passado decidimos fazer da nossa visita ao Brasil uma oportunidade de também visitar outros países da América do Sul. Sempre tivemos vontade de conhecer Machu Picchu, esse local sagrado que tanto encanta pela mística beleza e pelos mistérios da habilidade dos povos incas em construir edificações  tão eficientes em um terreno tão íngreme e a uma altitude de mais de 2.400m. O sistema de abastecimento de água funciona até hoje – Diego registrou no vídeo. Diz-se que as montanhas naquele local têm um forte significado religioso para os incas, os quais também levaram em consideração alinhamentos astronômicos na construção das edificações. Não tivemos tempo hábil pra caminhar toda a trilha inca, fizemos apenas a última parte do km 104 até o Portal do Sol, onde o marido mais lindo do mundo me pediu oficialmente em casamento – ele me deixou super emocionada, ajoelhou e tudo o mais! E no dia seguinte voltamos a Machu Picchu pra explorar um pouco mais e subir a montanha Wuaynapicchu, aquela mais alta que sempre vemos nas emblemáticas fotos. A montanha está a 2.700m de altitude e há também edificações lá no topo; uma caminhada íngreme e bem cansativa, mas que vale muito a pena. Fui embora de Machu Picchu com o coração apertado, há algo ali que tocou minha alma profundamente. Também visitamos Cusco e outros sítios históricos ao redor. Tudo lindo e imperdível. E é claro que nos apaixonamos pela culinária peruana – comemos muuito ceviche!

E como nossa passagem pro Brasil tinha conexão em Buenos Aires, decidimos ficar 3 dias por lá antes de chegar na terrinha. Não conhecíamos a capital argentina que nos encantou pela suntuosa arquitetura e simpatia dos hermanos.

E por causa dessas viagens, nossa estadia no Brasil foi muito curta, pouco mais de 2 semanas. Mas curtimos bastante nossos amigos e família e até conseguimos recarregar as baterias da alma nas límpidas águas das cachoeiras do cerrado brasiliense.  Mas foi bem corrido e voltamos pra cá com gostinho de quero muito, mas muito mais!

 

 


África do Sul: mais alma e menos medo

 

Visitamos a Cidade do Cabo na África do Sul em maio de 2016. A razão inicial da viagem não foi turística mas sim nossa última tentativa de engravidar de forma não natural. Após quase cinco anos tentando engravidar naturalmente e duas fracassadas inseminações artificiais, decidimos seguir o conselho do nosso médico e tentar conseguir uma doadora de óvulos.

Aqui na Austrália não existe doação anônima de óvulos: você tem que conhecer alguma mulher que esteja disposta a te acompanhar nessa difícil jornada. Chegamos até a cogitar essa possibilidade, mas achamos que ficaríamos mais confortáveis com o anonimato da mulher-anjo que nos doaria algo tão precioso e inestimável.

Fiz várias pesquisas e entre várias (caras) opções de clínicas na Europa – com exceção da Grécia, cujo preço era mais acessível, acabei descobrindo uma conceituada clínica na Cidade do Cabo, cujo preço era mais razoável. Li vários depoimentos encorajadores em um grupo do Facebook de casais que tinham conseguido engravidar através dessa clínica, e decidimos tentar. O nome da clínica é Cape Fertility Clinic e nossa médica foi a Dra.Matebese. Fomos muito bem assessorados durante todo o processo de 4 meses que incluiu: análise de perfis super detalhados de doadoras anônimas de óvulos; vários exames médicos que eu e Diego tivemos que fazer; as injeções de hormônios que o marido mais lindo do mundo aplicou em mim antes, durante e depois da inseminação (ele é tão calmo, um super enfermeiro!); a fertilização dos óvulos da doadora com o esperma do Diego; e, por fim, a inseminação de dois embriões.

Ficamos dez dias na Cidade do Cabo curtindo sua estonteante beleza e sonhando com um bebezinho crescendo no calorzinho do meu útero. Dois dias após a inseminação voamos de volta pra Sydney, e alguns dias depois veio o momento mais feliz de todos esses anos tentando engravidar: o exame de sangue confirmava que eu estava, enfim, grávida! Ah mas foi alegria demais, tão imensa que não consigo exprimir em palavras.  E um dia antes desse primeiro exame de sangue eu tive um sonho muito real, cujo significado apenas entendi  alguns dias depois.


Vale do Pati na Chapada Diamantina

Em julho de 2014 eu e Diego visitamos o Vale do Pati, localizado no Parque Nacional da Chapada Diamantina na Bahia. Iniciamos a caminhada de 3 dias pelo vilarejo de Guiné guiados pelo querido Rockão, o qual tem excelente conhecimento das trilhas da Chapada e também da rica flora e fauna – super recomendamos os serviços desse baiano “prime”!

A Chapada Diamantina é para aqueles amantes de trekking que estão em busca da magia que ocorre quando nos desconectamos do mundo digital e nos conectamos com a natureza nua e crua. Não há sinal de internet e não há energia elétrica, e isso por si só já é uma benção. As paisagens são estonteantes, há cachoeiras lindíssimas e uma variedade imensa de pássaros (tivemos  um encontro épico com um beija-flor) e flores cósmicas. E os pores-do-sol, ah… não consigo achar palavras pra descrevê-los… o que sei é que  quando a luz laranja-dourada reflete nos paredões de pedra, a alma sorri e não dá vontade de sair dali nunca mais.


Incurável nomadismo (?)

Acho que de certa forma sempre fui nômade, e meu pai também o era. Ele viajou muito a trabalho e morou em umas cinco capitais brasileiras antes de adotar São Paulo como a do coração.  Ele, minha mãe e eu  mudamos de Belo Horizonte pra Brasília em meados da década de 70, e lá ficamos durante 3 anos, quando eu e ela mudamos de volta pra Beagá, ela grávida do meu irmão, o casamento deles acabado e eu anestesiada diante da saudade-dor imensa que eu sabia que sentiria dele, para mim o mais doce dos homens, meu pai.

Morei em Beagá até os 28 anos, quando Brasília me acenou libertação e eu fui, feliz e agradecida. Em Brasília mudei algumas vezes, e durante uma época curta morei em São Paulo. Diego também sempre foi nômade, carioca da gema que morou em Recife  e Brasília em várias casas diferentes, mudanças acarretadas pela profissão do pai e também por vontade própria. Juntos também mudamos duas vezes em Brasília antes de irmos pra Austrália. E aqui já mudamos 8 vezes em 6 anos e meio! Ufa!que o processo da mudança em si cansa, mas conectar-se com o novo, descobrir algo que nunca se viu, é muito empolgante, ambos amamos.

E a nossa mais recente mudança ocorreu há 6 semanas: honrando nosso nomadismo, saímos de Dee Why e estamos morando bem pertinho do centro de Sydney no bairro de Redfern, o qual abriga uma considerável comunidade aborígine em prédios subsidiados pelo Governo do Estado, e também uma população de classe média alta atraída pela valorização imobiliária da área nos últimos anos. O casario é composto de charmosas casas geminadas do século 16 terrace-housee também de novas construções; a localização é estratégica, bem perto da city e suas muitas atrações culturais e de well-being, e também bem pertinho de Bondi e arredores. Diego está a apenas 5 minutos de caminhada da Holler, a mais nova empreitada profissional que ele abraçou. Eu tenho ido de carro pro jardim de infância Steiner onde trabalho e levo cerca de 20 minutos; pra nós dois o deslocamento pro trabalho foi reduzido consideravelmente, e foi essa a principal razão de termos decidido mudar pra mais perto da city: cansamos de gastar cerca de 2 horas e meia por dia pra ir e voltar do trabalho.


Sydney é nossa nova morada

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Dee Why, NSW: nosso novo canto.

 

Eu sempre quis morar na praia. Apesar de ter nascido e crescido em Minas, e ser apaixonada por suas montanhas, rios e cachoeiras, meu coração sempre pertenceu ao mar. Desde pequenina, as férias escolares de janeiro eram sempre passadas em Guarapari, no litoral do Espírito Santo. Passado o natal, íamos todos pra casa de praia dos meus avós pra desfrutar um mês inteirinho ali. Primos e primas de primeiro e segundo grau, tias, tios, tios-avós, bisavó, bisavô e amigos afins. Era uma festa: atravessávamos a rua de paralelepípedos da casa da minha avó pra casa da minha bisavó como se fosse extensão do nosso quintal. E a praia estava a meros 100 metros de distância.

Praia do Morro, Guarapari – ES

Foi ali na Praia do Morro que aprendi a pegar jacaré. Minha tia caçula começou a me ensinar desde cedo. Primeiro aprendi a pegar ondinhas com prancha de isopor, as quais minha avó tinha o super cuidado de cobrir com tecido de algodão pra que eu e meus primos não ficássemos com assadura na barriga – minha avó foi sempre muito carinhosa conosco. Com o passar dos verões, aprendi a furar ondas que às vezes pareciam imensos e assustadores paredões de água. Quando minha tia percebeu que eu já não sentia medo de correr em direção à onda e furá-la antes que ela quebrasse em cima de mim, ela me ensinou a escolher o momento certo de pegar a onda, dando braçadas fortes, e me deixar ser levada até a areia, sem prancha. Aquilo foi a glória da vida!

Tomei muitos caldos e caixotes, pois destemida que era, pegava ondas enormes pro meu tamanho miúdo, e várias vezes me embolava na onda, engolia água e me ralava toda na areia. Mas levantava com um sorriso no rosto e me jogava de novo nos braços de Iemanjá rumo a mais um jacaré. Ficava horas nesse vai e vem. Pra mim, o mar sempre foi sinônimo de diversão. Dentro da água, me sentia una, uma totalidade orgânica com a imensidão azul. Pro mar eu me entregava inteira e dele recebia vida.


Papo de criança é tudo #10

Eden e Millie são inseparáveis. Nesse dia estavam brincando de casinha: a Millie era a filha e a Eden era a mãe. Elas ficaram nessa brincadeira uns bons 10 minutos, até que a Millie quis mudar de brincadeira:

-Eden, agora eu vou ser a mãe e você vai ser o cachorro da casa.
-Ah não, Millie, eu vou ser a mãe e você vai ser o cachorro – retrucou a Eden. Mas a Millie não abriu mão:
-Mas Eden, eu tive a idéia primeiro, eu quero ser a mãe.

A Eden pensou um pouco e respondeu, saltitando pela sala:

-Ótimo, eu quero ser o cachorro, afinal nunca fui um cachorro na vida real.

Beaudy e Finn estavam conversando no jardim.  O Finn contou pro amigo que o cachorro do primo dele tinha morrido, ao que o Beaudy respondeu:

-Meu cachorro nunca morreu, nem uma vez ainda.

Mirrin é descendente de asiáticos e, portanto, tem cabelo preto e lisinho. Por várias vezes ela sentava no meu colo e ficava acariciando meus cachinhos. E sempre me perguntava:

-Porque seu cabelo é cacheado?
-Porque meu pai tinha cabelo cacheado, Mirrin.

Ela sempre ficava pensativa e depois perguntava:

-Mas porque o meu cabelo não é cacheado?
-Porque tanto o seu pai quanto a sua mãe têm cabelo liso. – E ela sempre finalizava o assunto expressando o desejo de ter cabelo cacheado. Até que um dia, após a cena toda se repetir mais uma vez, ela acrescentou:

-Eu queria mesmo é ter cabelo cacheado e da cor do arco-íris!

Elias e Louis estavam ocupadíssimos construindo um prédio no quintal. O canteiro de obras consistia de pás, tábuas de madeira, gravetos, pedras, carrinho de mão do tamaninho deles e cimento de lama e água. Num determinado momento, Elias sugeriu:

-Louis, vamos na loja comprar as janelas e as portas? – Mas o Louis estava muito ocupado levantando uma parede de pedras e respondeu sem nem levantar os olhos:

-Elias, será que dá pra deixar pra comprar isso no ano passado?

Era o meu primeiro dia trabalhando num jardim de infância Waldorf aqui em Sydney, o que é uma benção, pois estamos nessa cidade linda há apenas 3 semanas. René, um menino de constituição pequena e um brilho super vivaz no olhar, veio caminhando decidido na minha direção, segurou ambas as minhas mãos e me disse sorridente:

-Hoje é o seu dia de sorte!!!
-Que maravilha, René!
-Você sabe porque hoje é o seu dia de sorte?
-Não, René, não sei. Porque hoje é o meu dia de sorte?
-Porque hoje você vai brincar comigo e ser a minha melhor amiga!

Jarrah estava bastante irrequieto na hora do descanso que as crianças fazem após o almoço. Ele estava deitado no colchãozinho dele mas não parava de falar. Eu deitei ao lado dele e falei bem baixinho, quase sussurrando:

-Jarrah, algumas crianças já estão dormindo, nós precisamos fazer silêncio senão elas vão acordar.

Ele parou de falar na mesma hora e ficou olhando pra mim com interesse, até que falou bem baixinho:

-Você tem quatro olhos.
-Ué Jarrah, quando eu olho no espelho só vejo dois.
-Não, você tem quatro olhos. – retrucou de forma segura. Apontando o dedinho primeiro pro meu olho esquerdo, ele disse: – Um olho, dois olhos (apontando meu olho direito), três olhos, quatro olhos (os dois últimos apontando cerca de um centímetro abaixo de cada olho). Com os dois olhos de cima você enxerga quando está claro, e com os dois olhos de baixo você enxerga no escuro.

Quando chegamos no quintal numa ensolarada manhã de primavera, descobrimos um possum (marsupial australiano) morto perto do galinheiro. As crianças ficaram alvoroçadas. Juntos preparamos um ritual bonito pra enterrar o bichinho. As crianças ajudaram a cavar o buraco pra enterrá-lo e cantamos uma música de despedida enquanto tampávamos a pequenina cova. Assim que terminamos, algumas crianças debandaram e outras ainda ficaram por ali, conversando animadamente sobre o possum.  Foi quando a Ines, ao ver o Jackson enterrando a pá com força onde jazia o bichinho, disse:

-Jackson, não faça isso, você vai matar o possum. – E o Jackson respondeu confiante:
-Mas o possum já está morto. – E a Ines, indignada, retrucou:
-Mas se você continuar fazendo isso, o possum vai ficar mais morto.

 No meu último dia de trabalho no jardim de infância em que trabalhei até vir pra Sydney, as crianças fizeram desenhos pra me presentear. Na hora de irem pra casa, uma por uma elas vieram me abraçar. Quando chegou a vez do Terje, ele me abraçou bem apertado e com um sorriso lindo no rosto, disse:

-Karina, eu vou sentir saudades de você cem vezes!!!

Os posts publicados sob o título “Papo de criança é tudo” são frutos do meu contato com crianças nos jardins de infância Waldorf em que trabalho  ou já trabalhei aqui na Austrália. Elas têm de 3 a 5 anos e uma luz linda no coração!

 


A vida em simples cliques #15

No meu aniversário desse ano. com o Fofo Felipe no meu colo. A festinha foi uma delícia, só gente de alma brilhante e muita alegria no ar! Que venham mais e mais anos de vida linda!!! Viva eu!
Comemorando meus 43! “Parabéns pra você” com o doce Felipe no colo pra me ajudar a soprar a vela. A festinha foi uma delícia, só gente de alma brilhante e muita alegria no ar! Que venham mais e mais anos de vida linda!!! Viva eu!

 

Quando fomos ao Brasil ano passado, fiz um workshop de arteterapia com mandalas de lã em Brasília, com a querida amiga e psicóloga Yvanna Gadelha. Amei! Mas a mandala não coube na mala, minha sogra amada teve que despachar depois. Ela está pendurada na parede do meu quarto <3
Quando fomos ao Brasil ano passado, fiz um workshop de arteterapia com mandalas de lã em Brasília, com a amiga e psicóloga Yvanna Gadelha. Amei! Mas a mandala de 60cm de diâmetro não coube na mala, minha sogra teve que despachar pelos Correios. Ela está pendurada na parede do meu quarto  e eu amo o que ela representa.

 

Aí resolvi experimentar tamanhos menores e fiz essa delicadeza de trabalho pra minha amiga Sandra Rosa. Essa mandala tem 20 centímetros de diâmetro. É um super presente e uma verdadeira terapia pra quem faz! Amei o resultado!
Aí quando cheguei em Melbourne, resolvi experimentar tamanhos menores e fiz essa delicadeza de trabalho pra presentear a Sandra Rosa. Essa mandala tem 20 centímetros de diâmetro. É um super presente e uma verdadeira terapia pra quem faz! Amei o resultado!

 

E fiz também esse trio de Olhos de Deus pra Aline..
E fiz também esse trio de Olhos de Deus pra Aline..

 

Eu e minha irmã de alma Aline em dezembro do ano passado fazendo ornamentos de massa de sal e bicarbonato de sódio pra enfeitar os presentes de natal. Amamos o resultado final!
Eu e Aline em dezembro do ano passado fazendo ornamentos de massa de sal e bicarbonato de sódio pra enfeitar os presentes de natal. Amamos o resultado final!

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